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Eu me abandonei primeiro
Queria voltar a ser aquela pessoa segura que eu era antes. Aquela que silenciava o mundo com um simples gesto, desativava notificações, não sentia urgência em responder, não contava minutos esperando resposta. Aquela que não media o próprio valor pelo tempo de uma mensagem e que sabia estar sozinha sem se sentir abandonada. Eu sinto falta da versão de mim que encontrava companhia no próprio silêncio, que tinha energia para ler, escrever, sair ou simplesmente ficar, que se arr
29 de abr.


Mais uma despedida
Hoje eu tomei a decisão de ir embora, não porque foi fácil, mas porque, sendo muito sincera comigo mesma, a única pessoa que ainda estava ali era eu. Você já tinha ido embora há muito tempo, e eu vi você indo, eu só não quis aceitar. Tudo começou com uma ausência disfarçada de falta de tempo, depois vieram os términos, e as voltas nunca eram iguais, sempre voltavam mais pesadas, cheias de medos, dúvidas e inseguranças. Qualquer deslize meu era motivo pra você ir embora de nov
19 de abr.


Eu já sabia que você não ia ficar
O meu problema nunca foi não perceber os sinais. Foi insistir, mesmo percebendo. Eu sempre soube quando algo não estava certo, quando o interesse diminuía, quando o cuidado já não era o mesmo, mas ainda assim eu ficava. Eu tenho essa mania perigosa de permitir que as pessoas me machuquem aos poucos, de ir tolerando pequenas ausências, pequenas faltas, pequenas decepções, até o ponto em que eu já não me reconheço mais. E, por fim, eu simplesmente deixo de sentir. Não porque pa
16 de abr.


O silêncio que não foi briga
No começo, amar é barulho bom. Mensagem no meio do dia. Voz presente. Olho atento. Aquela sensação de ser escolhida sem precisar pedir. Existe troca. Existe vontade. Existe tempo. E então, sem aviso, algo muda. Não é uma briga. Não é um fim. É um silêncio que cresce devagar. Uma resposta curta. Um “tá bom” onde antes havia conversa. A estranha sensação de estar perto, mas não exatamente junto. A relação continua, mas algo já não sustenta como antes. Quando a gente se vê pouco
2 de abr.


Onde mora o medo quando existe amor
Quase terminei um relacionamento que está dando certo porque, por alguns instantes, acreditei que não estava sendo amada o suficiente. Pelo menos não da forma como eu idealizei. Mas, no fundo, não era falta de amor. Era medo. Depois de tanto tempo sendo machucada, algo muda dentro da gente. Criamos traumas silenciosos, barreiras invisíveis, defesas que parecem proteção, mas que às vezes afastam exatamente aquilo que poderia ser bom. O medo não desaparece em poucos meses. Hoje
31 de dez. de 2025


Há dores que não gritam
Há dores que não gritam. Elas se repetem em frases ditas com naturalidade, em olhares que julgam, em palavras que continuam ecoando quando a casa silencia. Este foi o ano em que descobri que a ferida mais profunda não veio do mundo lá fora, mas de alguém que carrega o mesmo sangue que eu. Passei meses ouvindo que eu não era suficiente. Que eu era uma péssima mãe. Que meu filho teve azar por ter nascido de mim. Que alguém que nunca gerou, nunca pariu, nunca perdeu o sono, nunc
17 de dez. de 2025


Quando a confusão dele virou silêncio meu
Ele disse que estava confuso. E, pela primeira vez, eu precisei ser clara. Não porque eu quisesse ir embora, mas porque ficar, naquele momento, significava me perder. A confusão dele não veio em forma de frieza. Veio em cuidado. Em carinho. Em palavras bonitas que não sabiam para onde ir. Veio em promessas suaves, mas sem chão. E eu entendi. Entendi demais. Entendi o medo. Entendi o passado. Entendi traumas que não eram meus. Mas chegou um ponto em que entender começou a doer
16 de dez. de 2025


Amar devagar não é fugir
Nem toda confusão nasce da falta de sentimento. Às vezes, ela nasce do excesso de memória. Ele não estava confuso sobre o que sentia. Estava confuso sobre o que poderia sentir sem se machucar outra vez. Depois de uma história que terminou em medo, chantagem emocional e culpa, amar deixou de ser simples. O que antes era entrega virou cautela. O entusiasmo deu lugar ao freio. Não porque o coração não quisesse, mas porque a mente aprendeu a se proteger. A confusão surgiu quando
16 de dez. de 2025


Sentimentos digitais: o paradoxo da conexão
Já não existem mais tantos blogs. Os poucos que resistem viraram vitrines vazias, páginas que existem apenas para provar que um dia houve algo ali. Já não recebem histórias, textos, frases ou pensamentos compartilhados. Também já não existem cartas. As pessoas não escrevem umas para as outras porque desaprenderam a dizer. O romantismo virou exagero. Flores, chocolates e cartões soam antiquados demais para um mundo apressado. Não se compram mais revistas nas bancas. Aliás, ain
3 de dez. de 2025




































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